segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Considerações Finais sobre o estágio de matemática no ensino médio

Valeu a pena

U
ma nova experiência, os mesmos sentimentos...
ma nova escola, a mesma receptividade e tratamento...
m novo desafio, as mesmas vitórias...
ma nova história, as mesmas conclusões...

            Esta nova etapa que conclui na minha trajetória acadêmica, muito se parece com aquela primeira experiência como regente de classe, a exatamente um ano atrás, quando realizei o estágio de matemática no ensino fundamental. Naquela época, objetivava estabelecer meu primeiro contato direto com a escola, com a sala de aula. Buscava respostas para as temidas e inquietantes perguntas que me fazia: “Será que realmente quero ser professor de matemática?”, “Será que este investimento valeu a pena?”, “Será que estou pronto para ser um educador?”.
            E as respostas vieram, repletas de esperança e sonhos, fortalecidas por muita dedicação neste projeto de vida. Agora, neste novo estágio, busquei a confirmação desta vocação, e posso dizer sem medo de errar, que nestes rápidos vinte e seis períodos em que estive envolvido, encontrei esta confirmação. O sentimento é o mesmo, adoro “dar aula”! Escolhi a profissão certa!
            No princípio pensei que seria difícil realizar o estágio em uma escola desconhecida, tendo em vista que o estágio anterior realizei na escola em que estudei por cinco anos (lá me sentia em casa). Porém com o passar do tempo, estabeleci relações bastante amistosas com os funcionários, e me adaptei ao estilo “Rural” de escola. Adquiri ao longo do estágio um respeito por parte da escola, pois viram em mim alguém com vontade de ensinar, mas também com uma enorme vontade de aprender.
            Com mais este estágio surgiram desafios novos, nova turma, novo nível de escolaridade, novo conteúdo e nova professora titular. Os desafios eram tão grandes quanto a minha vontade de vencer. Vencer no sentido de obter êxito, sucesso em mais uma jornada, onde para mim o importante era que marcas ficassem, que novos conhecimentos e experiências fossem adquiridos.
            Inicio minhas considerações sobre estes desafios, relatando sobre as metodologias de ensino adotadas neste estágio. Metodologicamente penso que fui extremamente exitoso, as aulas foram muito produtivas, e as atividades propostas à turma tiveram uma grande aceitação por parte dos alunos. Ao buscar ferramentas que sustentassem meu trabalho docente, encontrei na geometria fractal uma excelente estratégia para ensino das progressões geométricas. A riqueza de detalhes e de aspectos que a geometria fractal contém em seu universo infinito de formas e representações, encantou os alunos durante o estágio, que ficaram fascinados com a sua beleza. Além dos ganhos de utilizar esta ferramenta didática pude vivenciar momentos inesquecíveis juntamente com os alunos, como no primeiro dia de aula com a exibição do vídeo com as imagens de fractais, a montagem do fractal escada e os mosaicos criados surpreendentemente pelos alunos durante a aula.
            Outros aspectos metodológicos também devem ser considerados aqui, como os conceitos elaborados pelos alunos durante as aulas, descrevendo de forma madura suas concepções sobre PG, com coerência as aulas do estágio. As aulas sempre tinham uma “pitada” diferente das outras, posso dizer que foi um estágio em movimento, os alunos nunca tiveram a monotonia como sua companheira de classe. Busquei fazer estes movimentos de variadas formas, mas sempre em ligação com as habilidades e restrições que a turma tem. Aulas em duplas, outras em grupos, construção de fractais, construção de conceitos, alunos desenhando em aula de matemática, aula de matemática “invadindo” aulas de artes, aula de matemática com história, a história da matemática, aluno como professor, professor como aluno, etc. Puro movimento!
            Todo este movimento citado anteriormente, não foi criado por mim          , e é importante que isto fique evidente aqui. A própria matemática e suas formas de vida me forneceram estas ferramentas, tendo em vista seus diversos campos de aplicação. Porém cabe ao professor utilizar estes recursos em suas aulas, para que nelas existam movimentos. A matemática não é uma ciência morta. É uma ciência com muita vida!
            Durante a realização deste estágio, ouvi de muitas pessoas que ele seria muito fácil, um conteúdo bom para trabalhar, e que desenvolveria com tranqüilidade. Concordo com os discursos que ouvi, porém, penso que nada faz sentido ter um conteúdo fácil de trabalhar, se o professor ficar acomodado, e pelas facilidades inerentes do conteúdo, não desenvolver uma prática pedagógica instigante para o aluno, com diversidades de metodologia. Penso que um professor com “espírito aventureiro” e com um olhar pesquisador, pode produzir excelentes aulas até mesmo com conteúdos ditos “difíceis de trabalhar”. Considero ser necessário ao professor de matemática atitudes e comportamentos de confiança em sua disciplina. Não é necessário que toda aula seja festa, brincadeira e dinâmica. É preciso que o professor confie mais na sua área, na sua disciplina, e desta forma ele obterá êxito.
            Uma nova história, novos personagens em ação. Sem dúvidas a afetuosidade dos alunos para comigo foram uma marca deste estágio. Eles conseguiram me emocionar durante as aulas, produziram efeitos e afetos em minha vida. Acredito na profissão ao qual estou me formando, e hoje posso seguramente dizer que valeu a pena o investimento feito, mesmo que por enquanto o retorno tenha sido somente em âmbito afetivo e acadêmico. Valeu a pena cada dia que fui a escola, cruzando a cidade de norte a sul, em jornadas de bicicleta de quase cinco quilômetros. Valeu a pena o investimento em cópias, cartazes, papéis, e em outros materiais utilizados, pois o aprendizado foi para a vida. Certamente este estágio valeu a pena!   

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