Hoje,
véspera do dia dos namorados, trago ao blog uma postagem veiculada originalmente
no blog “Física na veia”, no dia 12/06/2005, publicada pelo professor Dulcidio
Braz Júnior. Trata-se de uma interessante e agradável leitura sobre um encontro
de um casal de namorados que serve de pano de fundo para falar sobre energia
cinética.
É
claro que este post é para lembrar que amanhã, 12 de junho, é o Dia
dos Namorados. Mas é para lembrar também que as leis da Física estão
presentes em nossas vidas, em todas as situações.

Esta
cena, bastante comum na vida real e muito explorada na ficção, esconde um
segredo físico: por que os dois corpos sempre giram quando se encontram após
a corrida?
É
simples. Cada um dos corpos (do homem e da mulher) tem uma massa "m"
e uma velocidade "v". Logo, carregam uma energia de movimento
ou, como se costuma dizer na Física, energia Cinética EC
que é dada por:
Supondo
que o homem tenha uma massa de 80 kg e corra com velocidade de 6m/s, sua
energia cinética será ECH = mH.vH²/2 = 80.6²/2
= 1440 J. Fazendo a mesma conta para a mulher, supondo que ela tenha uma massa
de 50 kg e velocidade de 5 m/s, teremos ECM = mM.vM²/2
= 50.5²/2 = 625 J.
Logo,
a energia total do casal apaixonado, ao que chamamos na Física de energia
mecânica do sistema homem-mulher, será de 1440 + 625 = 2065 J.
É
uma energia suficiente para, por exemplo, fazer funcionar uma lâmpada de 20W
por um tempo Δt que pode ser facilmente calculado por ΔE = P.Δt onde ΔE = 2065
J é a energia total que a lâmpada recebe e P = 20 W a potência nominal da
lâmpada. Substituindo os dados, encontramos 2065 = 20.Δt o que dá um valor Δt =
2065/20 = 103,25 s, ou seja, quase 2 minutos.
Se
não acontecesse o giro dos corpos, haveria uma tremenda colisão dos corpos. Já
imaginou o homem batendo de frente com a mulher? Toda essa energia teria que
ser dissipada de alguma forma. Digamos que a energia fosse empregada na quebra
do nariz do rapaz ou, quem sabe, na ruptura de algumas costelas da moça. Seria
um encontro trágico, sem a menor graça e muito menos romance.
Então,
sem nem pensar, praticamente num ato reflexo, os dois rodam. Isso é pura Física
na Veia, é a intuição de quem sabe lidar com o mundo físico ao seu redor. O
giro dos corpos é uma forma de converter a energia cinética de translação do
movimento linear de corrida em energia cinética de rotação. E, aos poucos,
homem e mulher vão brecando a rotação, usando o atrito com o solo para dissipar
suavemente a energia mecânica, até que os corpos param e o beijo pode acontecer
sem traumas, qualquer que seja o sentido de trauma aqui empregado.